
A pré-campanha de Eduardo Braide entrou de vez no modo “realidade paralela”. Sem conseguir transformar suas viagens pelo interior em demonstrações concretas de força política, o ex-prefeito agora tenta sobreviver embalado por pesquisas feitas por telefone e internet, métodos que vêm sendo cada vez mais questionados pela falta de conexão com o eleitorado real.
A mais nova tentativa de criar uma atmosfera artificial de favoritismo veio com a divulgação da Atlas Intel. O próprio instituto admite que a coleta ocorreu por meio de questionários online, dentro de um universo totalmente vulnerável à influência de bolhas digitais, militâncias organizadas e engajamento direcionado. Na prática, esse tipo de levantamento costuma retratar muito mais o comportamento de usuários hiperativos de rede social do que a opinião média da população.
A situação já começa a ficar constrangedora para aliados do ex-prefeito. Enquanto os números de internet tentam vender um Braide imbatível, as imagens das agendas políticas contam outra história: eventos mornos, dificuldade de mobilização, ausência de entusiasmo popular e uma enorme dependência de marketing digital para tentar sustentar uma candidatura que ainda não conseguiu criar musculatura fora das telas.
O problema é que eleição não se vence apenas com compartilhamento, robô, curtida ou compra de visualizações no Instagram. E parte da classe política maranhense já percebeu que existe uma distância enorme entre o candidato fabricado pelos gráficos virtuais e o político que enfrenta, na prática, uma pré-campanha muito aquém do que seus aliados imaginavam meses atrás.



